AMOR, PAIXÃO E OS NAMORADOS
Cessadas as controvérsias apaixonadas, pode-se falar com serenidade sobre a Paixão de Cristo. Pretender repartir culpabilidades pela sua ocorrência, é ignorar a divindade encarnada. Cristo não foi morto. Imolou-se por amor à humanidade. “Não existe amor maior do que dar a vida pelo irmão.” A sexta-feira santa, porém, ficou para trás. O foco do momento é o “Dia dos Namorados”. Será o caso de festejá-lo ou lamentar a perda de seu sentido romântico, em favor do objetivo mercantilista ?! Embora no termo namorado esteja inserida a palavra amor, os namorados, ao que parece, hoje em dia não se enamoram, amam e casam, como antigamente. Ficam na paixão. E enquanto dura. Pois, a paixão é passageira. É um fogo, abrasador às vezes, porém fátuo, se não for permanentemente alimentado pelo amor. A preterição decorre da própria natureza do amor. Segundo o Apóstolo Paulo, “o amor não busca o próprio interesse. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Não é passageiro. É eterno”. Hoje, no entanto, busca-se o próprio interesse. Não se desculpa, não se tem fé, paciência para esperar, “saco” para suportar. Busca-se o mais moderno, o mais novo. O celular, o computador, o carro, o parceiro. O descartável. Não há amor à profissão. Busca-se o ganho. Não há amor à arte. Busca-se a fama. Não há amor ao esporte. Busca-se a vitória. Não há paciência para esperar enriquecer. Rouba-se. Não se é fiel. Trai-se. Não se suporta. Manda-se em frente. Para que serve, então, o amor ? ... Para que serve o namoro, além de alavancar, com as vendas de seu dia, o superavit primário ?... Desembocar no casamento, que transforma as pessoas, não em membros de uma comunhão de felicidade e amor, mas em “infelizes tiranos domésticos”, segundo uma badalada escritora americana ? ... Pena, assim se pense, se aja e atestem as estatísticas. A falta, esta sim, de um fiel, profundo e duradouro amor conjugal está alienando as pessoas. Deprimindo-as. Levando-as à solidão, ao estresse, à infelicidade, ao vício, à busca de manuais de auto-ajuda. O amor paulino, ao contrário, pode até, aparentemente, terminar numa cruz. Mas é o único caminho, a páscoa da verdadeira felicidade. A fé e a esperança desaparecerão, um dia, com a morte. O amor, porém é eterno. Porque o Eterno é Amor.

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